domingo, 1 de dezembro de 2013

…se eVa ofereceu a maçã…

Por Ingrid Caldas

 

 

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Caríssimo leitor,

Hoje não vou dizer de cheiros, cores e frutos.
Vou dizer de tempo, prazeres, pecados de vida e de viver... Desde que o mundo é mundo, lemos sobre a Humanidade e sua evolução. Sabemos e percebemos muito pelo que lemos, pela visão de outros.

Eva “trouxe” o pecado com a maçã, e dela vieram todos os infortúnios de vida e viver. Afora crenças religiosas, a maçã é a tentação? – é o atalho para o prazer?

Vimos a mulher como reprodutora , que gera a prole e não há tanto tempo, o homem a responsabilizava se o rebento não fosse um filho homem. Aquele que seria o herdeiro do nome e dos bens. Em algumas regiões: bebês femininos eram mortos. Mulheres eram criadas para servir ao homem. Sequer estudavam , para não ter o “conhecimento”.

 

Ficavam inteiramente dependentes dos pais e depois do marido. E a maçã?

 

Em alguns anos mulheres à frente do seu tempo, foram se “mexendo” -, se abrindo ao novo. Afinal, ao cuidar de casa e filhos, com o marido quase sempre chegando tarde - , pensar em um tempo só dela começava a fazer sentido. Sim, os maridos chegavam tarde! Tinham amantes , prostitutas - ou não. “Teúdas e manteúdas” com quem se saciavam de desejos que a esposa e mãe nem imaginava e jamais desfrutaria. E a maçã? 

Foi uma caminhada árdua, demorada, onde os homens também lutaram para mantê-las no anonimato. Mas, a maçã tem cor vibrante, é doce e sua árvore, plena de frutos lindos de se ver! E, finalmente, a “liberdade” foi alcançada. No afã desta dita liberdade, muito se cometeu e se excedeu. A novidade fez os olhos brilharem, o corpo fremir em um desejo contido de décadas – quiçá de centenas de anos, de vidas tolhidas em sua essência e potencial. Lambe-se a maçã!

Na corrida de recuperação do tempo perdido, interpretações errôneas de conceitos, de atitudes e sentimentos, se atropelaram. A mulher que ontem se escondia, seja no lar, seja em roupas escuras e recatadas, na ignorância do mundo ao seu redor, explode em opiniões, expostas na mídia, cinema, livros e chega ao mundo corporativo. Com todo este caminhar, vem os valores duvidosos. A aparência surge com exigências absurdas e escandalosas, mulheres plenas de ossos, sustentando um orgulho por vezes doente, em que as curvas de tempos idos foram digeridas com alimentos industrializados e fast foods. Cheira-se a maçã!

 

Junto com a liberdade de expressão, o poder do voto e o respeito pela opinião feminina, vem os desejos e a curiosidade –, pelos pecados do corpo. Pelo prazer inimaginável, que tanto cativava os esposos de décadas passadas . E um turbulento movimento se faz, com ondas de sexo livre, de libertinagem incontida, como se, por amor ou desamor, a busca ainda não encontrasse rumo certo. Temas como aborto, violência doméstica, homossexualismo, são discutidos a céu aberto. Muitas mães abandonadas pelos companheiros, seguem na sobrevivência com sua família. E avança no respeito ao outro ou outra, uma luta incessante... Mordeu-se a maçã!

 

E o espaço feminino é conquistado, à duras penas, e, com o sacrifício de muitas e de muitos, vemos um mundo novo. Mas, o tempo há tanto almejado, traz insegurança. Homens perdidos na sua função, na sua masculinidade tão atingida e questionada. Sim, os homens perderam-se, e já não sabem se o cavalheirismo é bom ou ruim, ninguém mais quer compromisso. Ouço mulheres reclamarem por afeto, amor verdadeiro, pelo sentimento perdido – , e homens lamentando o mesmo. Engasgou-se com a maçã? 

 

Hoje, se olharmos para trás, em seu contexto histórico, estas conquistas foram importantes e, em sua maioria, benéficas não só para a maioria das mulheres, como para os homens. Hoje são tantas as mulheres a ocupar o “poder” – e, não falo apenas do poder subjetivo e sim o poder de ser mulher. Do outro poder também se fala – afinal, é um fato alardeado pela imprensa constantemente, inclusive no Brasil. A tecnologia avança rapidamente trazendo também uma longevidade que nem se pensava. Vida saudável, atividades físicas, doenças controladas. Mas o tempo está tão mais curto... Será que o mundo gira mais rápido? Será que o relógio acelerou os ponteiros? A vida que passava devagar hoje grita por agilidade e intensidade. A mulher se divide entre a família, as que por ela optaram, e o trabalho, o sucesso profissional. O companheiro partilha das tarefas do lar, em um equilíbrio saudável para alguns casais. Enfim, são conquistas, são lutas, e o respeito almejado vislumbrado. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Ainda vemos e ouvimos situações incontestavelmente absurdas praticadas contra a mulher. Um futuro que só a nós cabe traçar e com responsabilidade, fazer com que o olhar do outro nos veja como realmente somos. Veja-nos com as ambições e realizações, mas como mulheres, que geram vidas, que sustentam afetivamente a família, que são carinho e carências... E a maçã?...

 

Vamos encará-la como sendo o lado bom. O perfume, a cor, o sabor, que dão calor à vida!Que nos faz querer mais e mais, de nós mesmos e do outro. Que nos faz palavras numa folha por alguns segundos para depois ser um olhar para a vida pulsante, ativa – uma bela mordida prazerosa. 

 

Que a leitura que se segue os deleite, plena de cores, sabores e perfumes...

Grande abraço,

 

 

 

Sou tantas em uma!..
as vezes me faz rir
as vezes me faz pensar..

Não sou de palavras
não sou poeta..
apenas me sinto
e me leio..

Tenho tantas vidas em mim..
tantas vontades!..
anseios e talvez ilusões..

Sou mulher, sou menina
sou entregue, sou vontade..
tenho que ir,
e quero me deixar levar..

Paradoxos de uma vida!..
minha vida..
que segue!..

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